Saímos pela Paulista no feriado de 1 de maio sem reconhecer a avenida tão calma. Almoçamos no América e pegamos o metrô na Consolação.
Graças aos 10 votos na enquete, decidimos ir na Pinacoteca ver a mostra de Andy Warhol.
Para minha alegria, descendo na Estação da Luz, em frente ao Parque da Luz, senti que muito mais que a exposição do Mr. America me aguardava.

Começamos o passeio pela Pinacoteca. A expô do Andy estava em outro prédio, a Estação Pinacoteca.
Na Pinacoteca, estranhei a quantidade de japa na fila para entrar. Estava rolando uma tarde de autógrafos com Lucille Kanzawa, que estava lançando um livro sobre o Balé Yuba (uma espécie de balé popular da comunidade japonesa em SP, pelo que entendi).

No primeiro andar do prédio, destinado a exposições temporárias com ênfase na arte brasileira, demos de cara com as gravuras holandesas do século 17 retratando o nordeste brasileiro. Como já tinha visto essa exposição no Instituto Ricardo Brennand pelo menos em umas três ocasiões diferentes, pulei essa etapa.
Seguindo pelos corredores, fomos avançando no tempo, do Brasil Colonial ao Contemporâneo. E aí começou o nosso deslumbre com os documentos históricos de diversas épocas que se encontravam no lugar num estado de conservação ímpar. Preservação farta da história da corte portuguesa no Brasil, da história pré-abolicionista, do nascimento da República. Não vou cansar vocês transcrevendo tudo que vimos, mas deixo abaixo os registros fotográficos. (Clique nas imagens para ampliá-las)













Histórias como "O mimo do peru" da amante para D. Pedro, ilustrações de um Recife da época da monarquia, passaporte e ficha dentária de escravos, letras de músicas que marcaram a MPB e até um ofício que nomeia um ascendente de Mário como diplomata encontramos nessa área do museu. É incrível como a história que "vizualizamos" é mais interessante que aquela que ouvimos e lemos.
O acervo permanente da Pinacoteca é enorme, seria impossível visitar tudo num só dia. Tirei apenas algumas fotos numa das alas pela qual passamos caminhando para a saída. O restante ficará para uma próxima visita, que espero fazer em breve.

Seguimos para a Estação Pinacoteca para ver, enfim, a exposição de Andy Warhol. A única foto que tirei está aí abaixo. Era proibido fotografar e eu só descobri isso após tirar a primeira.

Ao lado do auto-retrato, lia-se: "Quando meu tempo chegar ao fim, quando eu morrer, não quero deixar nenhuma sobra. Esta semana eu estava assistindo televisão e vi uma senhora entrar dentro de uma máquina e desaparecer. Aquilo foi maravilhoso, porque matéria é energia e ela simplesmente se desfez. Esta poderia ser uma invenção verdadeiramente americana, a melhor invenção americana - conseguir desaparecer."
Mais uma série de fotografias e serigrafias da famosa Pop Art se passaram à nossa frente. Muito mais encantadora pelo conceito do que pela técnica em si, a arte de Andy mexe com a gente quando nos faz pensar no sentido do modus operandi das gerações que o sucederam. Perceber que tudo que foi dito por ele é ainda tão atual nos põe a, introspectivamente, nos questionar sobre o que somos.
Anotei algumas das frases estampadas nas paredes, entre um trabalho e outro, e divido aqui com vocês:

"QUANDO VOCÊ VÊ A MESMA IMAGEM REPETIDAS VEZES, ELA PERDE TOTALMENTE A SUA FORÇA."

"SÓ OS FILMES TÊM CONDUZIDO REALMENTE AS COISAS NA AMÉRICA."

"O SEXO É UMA ILUSÃO. O MAIS EXCITANTE É NÃO FAZÊ-LO."
E de fatos, fotos e frases, Andy construiu uma nova arte, desconstruindo o chamado SONHO AMERICANO.
...
Meu sábado insistiu em não terminar por aí. À noite, depois de descansarmos das andanças pelo centro, fomos ao Unibanco Arteplex do Frei Caneca ver o sucesso de crítica El Secreto de sus ojos, filme de Juan José Campanella. O ator Ricardo Darín e todo o elenco conseguem prender os olhos da própria platéia por duas horas de trama envolvente, num suspense carregado de segredos hipnotizantes que nos deixa vidrados até o último segundo da película. Recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2010 com todo merecimento. RECOMENDO MUITO!
Quero ver esse filme.
ResponderExcluirAdorei o casaquinho verde água-marinha/turquesa. Muito fino, coisa de Dey...
Beijoooooo
O filme é realmente show, Rê!
ResponderExcluirE quanto ao casaquinho, está às ordens. ;)