Só pra não perder o costume, vou falar de novo para minhas amigas neonatologistas de algumas coisas que ainda me surpreendem no trabalho por aqui. Sabe uma das diferenças principais que vi por aqui em relação a Recife? A causa da prematuridade. Enquanto em Recife eu vi muito bebê nascer antes da hora por pré-eclâmpsia aqui isso é raríssimo. Muito provavelmente é por aqui existir um pré-natal ao nível de SUS incomparavelmente melhor, o que evita que a mãe chegue com uma DHEG descompensada ao fim da gravidez. Outra coisa que eu vejo muito pouco aqui é corioamnionite, para minha alegria. Mais uma raridade? Malformações do tubo neural e da parede abdominal. Acredita que eu nunca vi uma gastrosquise, onfalocele ou meningomielocele por aqui? Quando eu digo que tinha pelo menos 2 ou 3 casos internados no IMIP com esses diagnósticos todo mês (especialmente meningo), o povo aqui fica passaaaaaaado. Em compensação, aqui tem as coisas que eu nunca via por aí também. Alguma vez medimos nível sérico de drogas em Recife? Pois aqui qualquer medicação de uso crônico tem seu nível sérico medido periodicamente. E bomba de albumina em pacientes com oligúria? Nunca fiz antes. Óxido nítrico já cansei de falar que é água aqui, né. Assim como Prostim (qualquer suspeita de cardiopatia congênita grave quando nasce já começa a fazer, mesmo que depois precise de um fechamento cirúrgico de canal). E para arrematar, ando vendo tanto bebê em diálise que estou pensando em fazer uma proposta para a CIPE daqui dar um treinamento em Pernambuco para ver se algum anasarcadinho sobrevive por aí. Enfim, são dois mundos bem diferentes.
PS: Dra. Lanna, você tá me devendo as novidades do Congresso Brasileiro do Rio, viu?
PS2: Em março está rolando o Simpósio Internacional de Neonatologia aqui em SP, as portas estão abertas para as amigas que vierem!

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