Sábado chuvoso. Eu e Mário, 2 gotas de PE no oceano de SP. Impessoalidade, sentimento de inadequação, medo de não se adaptar. Sentimentos que são recorrentes quando tentamos "parar" um pouco em São Paulo. Sabe aquela hora do dia que a gente respira um pouco, tenta não pensar em nada, vai pra janela e olha pra rua em busca de um sentido? Eu geralmente ia na varanda do meu apartamento na Padre Bernardino e ouvia o barulho da Conselheiro Aguiar, sentia o cheiro de maresia, olhava as estrelas, avistava os coqueiros da Avenida, escutava uma buzina de Cazá-cazá. Aquilo se tornou familiar tanto quanto o barulho das carroças de burro e dos Toyotas de Taboquinha passando na frente da casa de Belo Jardim (é queima, mas é a verdade, né? Hehehe).Então de repente eu olho pela janela e ouço o barulho dos motoboys estressados, vejo a neblina cobrindo a cidade, vejo tantos prédios que não consigo ver a linha do horizonte. E aí bate a saudade do meu lugar. Daquela paz que a proximidade do mar sempre traz. Daquela sensação de que, no fim da Avenida, vem as pontes e o lado de lá já totalmente desbravado. Dá saudades também de ter a 232 ali do lado, uma conexão bem mais consistente com minhas raízes e minha família do que o vasto céu que agora será ponte para nossos encontros.
Lembro dos meus pais queridos. Dos olhos do meu velho mareados me deixando no aeroporto. Da minha mãe que de um jeito tão engraçado e inocente falava as coisas mais hilárias que eu podia escutar nas milhares de vezes que a gente se falava no telefone todo dia. Lembro dos meus sogros tão carinhosos. De Tio Evandro com aquela sábia serenidade que me tirava sempre um peso das costas. De Tia Mônica com seus beijos infindáveis que me fazem falta apesar de não parecer. Lembro de Dedê, meu irmão gêmeo 4 anos mais novo que, ironicamente, está lá agora que estou aqui. De Deysinha, meu Deus, tão linda, mais uma vez crescendo longe de mim. Lembro de Duann, por tabela, e aí fico mais feliz que ele agora tá mais perto. Lembro de Deby, que agora ficou cheia de espaço mas preferiria os 3 irmãos em casa. Lembro de Caio, Mila e Joaquim, vivendo as novidades da chegada do meu sobrinho sem poder dividir com a gente os mínimos detalhes.
Lembro muito de Mãe Necy, com aqueles dramas no telefone (minha nêga! minha gata preta! minha testa linda!), com aquela alegria de ver Tareco (eu) e Mariola (Mário) chegando em Belo Jardim. De meu compadre Souto, arengueiro e bêbado melhor que bonzinho e sóbrio. Hehehe. De Magda, que se está lendo isso aqui já está chorando desde a segunda linha. De Renatinho, virando um rapazinho e cada vez mais lindo.
Lembro da família Cavalcanti! Do líder da "gangue" numa positividade só. De D. Dininha e seu sangue azul com aqueles olhares desconfiados diante das minhas piadas. De Isabella, Tito, Malu, Vinicius (e Lara!), Andréa, Becca, Lucas e o povo de Hiran (Fatinha, Erika, Marcelo, os meninos, Ricardinho e agora a mais nova integrante ainda na barriga de Pri), enchendo a casa de alegria naqueles almoços comemorando qualquer coisa que aparecer pra reunir o clã.
Lembro do IMIP. Do meu povo da quarta, da minha galera do sábado. Das minhas preceptoras e das minhas amigas do coração, Kaka, Carol, Celhinha, Manu (perdi o seu parto, amiga, como lamento). Das fofocas que não poderei mais contar em primeira mão. Das comédias da madrugada que não vão acontecer mais. Do frango com ricota e espinafre do Cais que eu não comerei nem tão cedo de novo.
E aí vejo como Deus foi sempre tão generoso comigo. E sempre me tirou de um lugar para outro para me dar algo mais na vida. Quando eu, criança, pensava ter as coisas mais preciosas da vida ao meu alcance, uma cidade inteiramente minha, meus pais queridos do meu lado, veio a temporada em Caruaru, que me fez aprender a ser independente e a contar com mais duas grandes mulheres na minha vida, Mãe Necy e Magda. Quando parecia que estava me acostumando, veio Recife e os anos de colégio e faculdade que formaram minha personalidade definitiva. Meus amigos, meu grande amor e a família nova que ele me trouxe. Veio a minha profissão que é história à parte da minha vida, já que tão profundamente mexeu comigo. Ganhei o ganha-pão que tanto me orgulha e que me abre hoje tantas portas. Ganhei as amizades que agora, distante, me mostram a verdade que sempre deu base a elas. E mais uma vez, quando eu achava que tinha tudo, o dedinho divino se meteu na minha vida e me puxou para São Paulo.
Olhando esse passado vejo o que me aguarda aqui. Não será diferente. Conquistarei muitas coisas, certamente. Crescerei, aprenderei, melhorarei. Pessoas especiais, amigos queridos, o tempo vai trazer também. E mais uma vez, lá na frente, quando a vida me der um novo rumo, São Paulo fará parte também da minha história. Também será uma terra familiar, com um povo querido que não esquecerei seja onde estiver. E como tudo que foi parte de mim e ainda é parte do meu coração, São Paulo terá seu lugar. Então eu vou perceber, que Deus não quis me presentear com pouca coisa não, ganhei várias cidades, várias famílias, vários amigos, várias histórias para contar.
A tarde caiu e a noite chegou. As luzes dos edifícios encantam tanto quanto as luzes das estrelas. E São Paulo pede que eu me vá. Há muito o que fazer por aqui, a noite é uma criança ainda mais trelosa pras bandas de cá. Fico por aqui, gente. E vou levar todos vocês agora, no coração, para dar uma volta comigo na noite paulistana. Beijos em cada um de vocês.
Eita, baixou o espírito de Castro Alves!!!
ResponderExcluir=( Chuif....
ResponderExcluirFica triste não...São Paulo tem eus encantos...um retirante ajuda o outro... =)
Beijo lindona!