Sempre fui dessas pessoas que mesmo com a vida atribulada e corrida está sempre com um livro "debaixo do braço". Não consigo viver sem uma boa leitura de cabeceira e tenho muitas vezes que me controlar para não devorar um livro de 300 páginas num dia só. Hehehe. Mas é engraçado como, durante a gravidez, eu não consegui ler nada que fosse sobre outro universo que não o da mãe de primeira viagem. A sensação era de que eu tinha e tenho tanto ainda a aprender, que se eu fosse ler sobre outra coisa estaria jogando meu tempo fora. Acabei lendo muito sobre gravidez, educação de filhos, etc. Gosto sempre de ler livros cuja crítica já li em algum lugar ou que conheça o autor de outras leituras. Mas quando se fala em livros voltados para mamães, são poucas as críticas que encontramos (geralmente é só elogio ou propaganda), e acabamos nos deparando com uma centena de livros nas prateleiras da livraria, terminando escolhendo qual ler na base da intuição.
Bom, resolvi então dividir com vocês o que eu andei lendo, o que gostei e o que detestei (e recomendo até que passem bem longe):
O Livro Do Bebê Feliz - 50 coisas que toda nova mamãe deveria saber
Rachael Hale
Minha história com esse livro é dessas que contando ninguém acredita. Minha mãe havia comprado ano passado e guardado para me dar quando achasse que era hora. Meu irmão vinha para SP em fevereiro e ela, que é dada sempre a mandar uma lembrancinha, resolveu mandar o tal livro. Era um domingo. Foi o dia que descobri que estava grávida. A minha mãe não sabia de nada. Mas me mostrou ali mesmo que mães têm esse poder de saber quando é a hora certa para qualquer coisa na vida dos filhos.
O livro é uma graça. Não vai te ensinar muita coisa, não vai tirar suas dúvidas, mas vai te mostrar, através das fotos dos bebês lindos que há dentro dele, que alguém muito especial está por vir.
Criando Meninos
Steve Biddulph
Esse livro foi presente da minha sogra para o meu marido. Tudo a ver com ela, que pariu 3 meninos antes de ter sua primeira filha mulher. Fiquei encantada com esse livro! Acho que nós mulheres sempre vamos nos sentir um pouco inseguras com a chegada do primeiro filho homem. Natural, já que o nosso conhecimento sobre infância e nossas tendências maternais giram em torno da nossa própria experiência quando criança, logo, baseada na visão de uma MENINA. Quando descobri que o meu baby era um menino, confesso que fiquei meio ressabiada. Será que eu ía saber criar um menino direito? O mundo hoje, na prática, continua machista em muitos aspectos. Mas criar o filho homem parece bem mais desafiador agora que no passado. Se aprendemos a incentivar nossas meninas a serem saudavelmente competitivas, independentes e seguras buscando prepará-las para ser grandes mulheres no futuro - atributos impensáveis há cem anos, quando a mulher era criada apenas para ser dona de casa - precisamos agora aprender a medida certa de incentivar a doçura, sociabilidade e sensibilidade dos nossos meninos sem tirar deles o ímpeto masculino disposto a enfrentar desafios, buscar liberdade e encarar a vida com a ótica dos homens. A dose certa para educar sabendo respeitar o próximo e exigindo respeito a si mesmo é difícil de encontrar. Temos medo de termos um filho vítima de bullying tanto quanto de ter um filho agressor. Esse livro nos guia a questionar e escolher da melhor forma como devemos orientar nossos meninos para que eles tenham plena capacidade de viver num mundo repleto de diferenças respeitando os diferentes sem perder a própria identidade. Recomendo muito.
Vai ficar mais fácil...E outras mentiras que contamos às mães de primeira viagem
Claudine Wolk
Apesar de ser fã do american way of life em muitos aspectos, confesso ter um certo preconceito com best sellers americanos, especialmente quando se fala de educação, psicologia, auto-ajuda e afins. Mas resolvi comprar esse livro até mesmo por uma curiosidade como pediatra, querendo saber que tipo de conselhos e orientações uma jovem americana pode receber enquanto espera seu primeiro bebê. Tomei um choque com o livro. Para dar um exemplo: no Brasil, ainda mais no Nordeste, onde recebi toda minha formação como pediatra, vi que o incentivo ao aleitamento materno cresceu exponencialmente nas últimas décadas (salvando muitas crianças da mortalidade infantil no primeiro ano de vida). Sempre trabalhei com o SUS e sou também incentivadora deste gesto, que ultrapassa a importância emocional e é realmente imbatível quando analisamos friamente o simples aspecto nutricional - leite materno é o melhor alimento que se pode dar a um filho e ponto final. Mas também observo que alguns profissionais, hospitais e centros de apoio à amamentação passam dos limites e esquecem que, além de uma fêmea mamífera e sua cria, há ali uma mulher e seu universo particular diante de um filho recém chegado. Há dificuldades comuns a qualquer mulher que atrapalham a amamentação e que nós profissionais temos o dever de ajudá-la a superar. Mas há outros incontáveis aspectos (que não vou discutir um a um), como por exemplo a depressão pós-parto, que impedem a mulher de amamentar e que, sob a ótica de alguns, a torna um ser inferior, vítima de olhares de julgamento e preconceitos. Se isso já é uma atitude horrorosa quando feita por um amigo ou membro da família, é mais feia ainda quando vem de um profissional de saúde. Canso de ver e ler sobre mães que de tanto se cobrar por ter um parto natural, amamentar exclusivamente ao seio no mínimo seis meses, promover a transição alimentar impecavelmente, desfraldar no momento certo, etc, etc, etc, se tornam escravas da maternidade, vivendo o que deveria ser o maior prazer de suas vidas como um martírio secreto, onde ela é a maior vítima. Enfim, o que isso tem a ver com o livro? O livro traz a visão de uma colunista, palestrante e mãe de 3 filhos que, ao contrário do que poderíamos encontrar aqui no Brasil, prega a soberania da mulher enquanto mãe de uma forma tão seca que chegou a me incomodar. Falando sobre a escolha entre peito e mamadeira, por exemplo, ela solta a seguinte pérola:
"Amamentar é a melhor opção! Mas o problema é o seguinte: nenhuma dessas pessoas que fala isso vai estar com você de manhã quando estiver alimentando seu filho pela décima segunda vez no dia - nem em nenhuma das horas e nem em nenhum dos dias , para dizer a verdade... Sua preocupação como mãe de primeira viagem é cuidar do seu bebê da melhor forma que puder. Para tanto, é preciso que cuide primeiro de você mesma. Se isso significa amamentar, ótimo! Se significa dar mamadeira, não se preocupe!"
Realmente não dá para ser pediatra, ler uma coisa dessas e achar normal... Continuei lendo o livro com o pé bem atrás, mas depois de ver mais frases absurdas, interrompi a leitura de guardei esse lixo só para lembrar, mais tarde, de comentar aqui no blog sobre o que vocês NÃO DEVEM ler na gravidez.
Coisas que ninguém conta sobre a chegada do bebê
Gabriela Orsi
Ao contrário do livro anterior, que parecia divagar sobre o mesmo tempo, o livro da brasileira Gabriela Orsi é deliciosa leitura. Uma mãe exatamente como nós, da geração que está parindo agora, falando sobre medos, dúvidas e expectativas atuais, sob a ótica de quem sempre buscou ser esposa, profissional e mãe impecáveis... E algumas vezes não conseguiu, mas bem que tentou. A gente vai se identificando com as histórias dela e se aliviando com as dicas que ela divide ao longo do livro. É desses livros que fluem facinho e a gente lê numa tarde. Gostei!
Criança pergunta cada coisa...
Doris Sanford
Olha o que dá comprar livros sem ler sobre eles antes! Achei esse livro super interessante, por abordar temas espinhosos que cedo ou tarde vamos nos deparar explicando sobre aos nossos filhos. Religião, morte, dinheiro, desastres naturais, sexualidade, doenças, enfim, um monte de assuntos polêmicos, interpretados por uma estudiosa missionária e mastigadinhos para a gente se guiar nas nossas próprias explicações futuras aos pequenos curiosos. Que decepção! O livro é preconceituoso, limitado e me deixou embasbacada por existir. Lamentável que seja best seller lá fora. Tomara que aqui mofe nas prateleiras! Uma das pérolas:
"O homossexualismo é um problema moral, e não é certo dar vantagens especiais a pessoas que estão fazendo algo errado; seria como dar direitos especiais a alguém que está roubando ou mentindo."
Em pleno 2011 e pensamentos medievais como esse ainda fazem a cabeça de muita gente. Muito triste!
As crianças aprendem o que vivenciam
Dorothy Law Nolte
Rachel Harris
Inspirado no poema homônimo que já publiquei aqui, esse livro fala sobre o poder do exemplo na educação dos filhos. A despeito de qualquer dogma que tentemos pregar em casa, qualquer bandeira que forcemos a levantar, o que realmente influenciará nossos pequenos vem de nossas atitudes rotineiras. Isso não é segredo para ninguém né? Mas o bacana do livro é que ele vem a nos ajudar a moldarmos essas atitudes para melhorarmos como exemplo. Afinal, atire a primeira pedra aquele que acha que tem atitudes 100% exemplares o tempo todo.
Nana Nenê
Eduard Estivill
Se vocês puderem se deixar influenciar por alguma coisa nesse blog, fiquei apenas com esta informação: LEIAM ESTE LIVRO! Quando comentei com minha obstetra lá pelo 3o mês de gravidez que estava decidida a não ter babá (assunto muito polêmico, digno de abordagem num post futuro), ela me indicou ler esse livro na mesma hora. Afinal, muito se fala sobre amamentação, cuidados de higiene, vacinas, etc, etc, mas pouco se ensina por aí sobre o sono dos bebês. Queixa freqüente em consultórios de pediatria e causa de muito stress em família é a criança que desperta várias vezes à noite, dorme na cama dos pais ou tem dificuldades tão sérias para dormir que mobilizam a vizinhança inteira. O livro Nana Nenê, com mais de 1 milhão de cópias vendidas mundo a fora, é uma cartilha que vai ensinar a mamãe a agir da melhor maneira para que o seu filho adquira os hábitos de sono mais saudáveis possíveis. Escrito por um médico especializado em distúrbios do sono da Universidade de Barcelona, o livro já ajudou muita mãe desesperada e salvou muitas mulheres (que o leram antes da chegada do rebento) de cair em algumas armadilhas que o frágil coração de mãe pode preparar. Recomendo muito!
Ainda estou lendo Como reinventar o casamento quando os filhos nascem - Gary Chapman e O Conflito: A mulher e a mãe - Elisabeth Badinter. Pretendo deixar uma resenha futuro sobre os mesmos para vocês aqui no blog.
Não posso deixar de indicar também o livro da Sociedade Brasileira de Pediatria, que numa linguagem fácil, aborda todos os temas relacionados à saúde do bebê, desde a concepção até os 2 anos de idade. Bacana para ter à mão sempre que surgir uma dúvida e antes de ligar de madrugada para o pediatra!
Espero que gostem das dicas e dividam as boas leituras de vocês comigo nos comentários!








Adorei as dicas. Estou no quarto mês e ansiosa por uma boa leitura.
ResponderExcluirOi Dey, na época em que engravidei do meu primeiro filho eu morava nos EUA e li alguns livros por lá....poucos eu aproveitei. Li Criando Meninos, muito bom e Nana Nenê igualmente bom. Gostei bastante tbem de Quem Ama Educa, leia este, vale a pena. Mas realmente, no final das contas, o exemplo que vc dá é o que mais conta. Depois que vc se torna Mãe, o seu comportamento muda em muitos aspectos. Nos tornamos melhor, para que nossos filhos sejam melhores que nos. A maternidade é cheia de surpresas!!!! Vc vai ver. Bjos
ResponderExcluirVanda Aguiar