sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Lembranças da infância

Meu pai me carregando no braço pelas escadas pra gente "enganar" mainha dizendo que eu tinha pegado no sono na rua e "dar um susto" nela quando ela chegasse pertinho.

Meu pai me levando para ver o Cristo Morto na Igreja da Matriz de Belo Jardim.

Meu pai dançando comigo (eu com os pés em cima dos dele) ao som da radiola na sala da casa velha.

Meu pai saindo de mãos dadas comigo pelas ruas e me fazendo acreditar que as pessoas achavam que nós dois éramos namorados.

Meu pai me levando com ele pra visitar a madrinha Deolinda dele (eu sempre adorei escutar as conversas dos velhos tempos).

Meu pai me recebendo com um sorriso escancarado quando eu batia na porta do primeiro escritório dele, na loja embaixo da nossa casa, vestindo apenas uma calcinha bunda rica e de pés descalços.

Meu pai me levando pra Taboquinha e contando da sua infância subindo e descendo as serras pra ajudar o avô.

Meu pai trazendo uma boneca enorme da Xuxa quando voltou da sua primeira viagem de avião para São Paulo.

Meu pai me levando em dia de eleição pra votar por ele (adorava colocar o papelzinho na urna).

Meu pai orgulhoso dos meus desenhos criativos, sempre questionando como eu era capaz de fazer coisas tão lindas e tão perfeitas.

Meu pai me ensinando a boiar na água na praia de Tamandaré.

Meu pai tirando o coração e o rim da galinha que mainha cozinhava todo domingo pra me dar os "miúdos" escondidos dos meninos.

Meu pai cheirando minha nuca com os meus cabelos pretos e compridos enrolados na mão dele.

Meu pai passeando com a gente de moto pelas estradinhas rurais.

Meu pai contando histórias de terror pra gente na cama quando faltava energia na rua.

Meu pai pedindo pra eu "catar piolho" nele todo dia depois do almoço.

Meu pai me dando a chave da loja pra eu abrir quando dava 1:30 da tarde.

Meu pai me levando pro parque de diversão nas festas de São Sebastião e de Nossa Senhora da Conceição.

Meu pai me arranhando com a barba enquanto me enchia de beijos.

Meu pai pedindo pra eu tirar as "crequinhas" do seu pé quebrado quando ele tirou o gesso.

Meu pai abrindo a loja dia de sábado pra gente brincar dentro como se fosse gente grande.

Meu pai perguntando qual de dois coqueiros que a gente avistava da linha do trem estava crescendo mais rápido.

Meu pai me dizendo o quanto ele era meu amigo e pedindo para eu nunca duvidar disso.

É, paizinho... Agora, relembrando tanta coisa, eu entendo como você pôde ter coragem de deixar a gente morar sozinho com 10 anos de idade. Essa infância valeu por todos os anos que viriam pela frente onde a distância por maior que fosse jamais apagaria o que vivemos juntos. Obrigada pelas doces lembranças que hoje fazem de mim a filha mais grata do mundo.

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